sexta-feira, 14 de maio de 2010
Sob a mira de mulçumanos radicais, Trey Parker e Matt Stone, criadores do South Park, não pensaram duas vezes ao fazer da situação mais um motivo para provar que intolerância, censura e falta de humor não levam a sociedade a lugar nenhum. Para entender a situação em si e a "resposta", convido o leitor do blog a uma breve volta no tempo, mais precisamente, para 2005, quando um cartunista dinamarquês fez uma série de desenhos ironizando o profeta Maomé e a crença islâmica, gerando revolta em grupos extremistas, que ainda acham que o alcorão incentiva atos terroristas em busca da paz espiritual.
Desde então, o cartoon americano vem fazendo uma série de piadas sobre o fato e principalmente sobre o pensamento retrógrado de grande parte da população islâmica (digo com boca cheia). Foram vários episódios debochando inclusive de "não poder ser dito" o nome do profeta Mohammed na televisão,enfim, uma sequência de motivos para alfinetar qualquer islâmico com tolerância abaixo de 80 % para piadas religiosas.
Tudo isto veio à tona novamente semanas atrás, quando para comemorar o ducentésimo desenho, todas as celebridades e qualquer outro tipo de entidade já ridicularizado por Trey e Matt, foram trazidos para o cenário da pacata cidade. Adivinha quem estava lá também? Ele, o motivo de discórdia. O profeta não aparecia em nenhum momento, mas isso não foi uma auto-censura feita pelos desenhistas, e sim, parte do enredo cômico do show. Os cidadãos de South Park discutiam o quanto Mohammed poderia aparecer em rede pública sem uma represália da comunidade do oriente. Com uma tarja preta o tempo todo, o ser era questionado por ter um super-poder que o impedia de ser motivo de graça,além disso ele também se fantasiou de urso de pelúcia para não ser visto em público, tudo isso, mais o fato de um dos personagens ainda gritar: "Ai, meu deus, o branco dos olhos dele está a mostra, isso pode mulçumanos?" - fora motivo de desavença. Sites espalhados pelo mundo queriam a cabeça dos americanos, grupos extremos juraram vingança.
Durante a semana que sucedeu-se jornais se questionaram qual seria a reação dos dois, seria o medo maior que a vontade de fazer arte? Porque isso que é cinema e televisão. Seria que uma incompreensão deste povo mais uma vez calaria um trabalho brilhante, visto que em 2004 outro artista teve seu trabalho interrompido por radicais.Theo Van Gogh, foi assassinado na porta da sua casa na Holanda na mesma época em que havia realizado um documentário sobre a submissão da mulher na sociedade islâmica. Estes, ditos religiosos, já provocaram mortes não só de artistas mais de civis de um modo geral, em todo o globo. Mas não é sobre isso que vamos falar hoje, não é o dia de eu expor todo o meu desprezo pelo fanatismo religioso que ocorre principalmente no oriente médio.
O episódio seguinte, apesar do o Globo.com ter definido como cauteloso, por ignorância e falta de análise crítica,claro, trouxe a "censura" a um novo patamar. Nem o nome do profeta mais era dito, haviam partes em que somente o barulho do corte era escutado, tornando a situação mais engraçada.Até Steve Wonder, que aniversaria hoje, viu que não foi um ato de covardia ou de cautela, e sim de irreverência. Os criadores continuaram a fazer piada não de Mohammed em si, mas da intolerância. Censuraram por livre e espontânea vontade, como parte do roteiro do cartoon, mas prosseguiram com o mesmo irreverente South Park de sempre. O último golpe viria nos minutos finais do desenho, o desfecho geralmente é feito por Kyle ou Stan dizendo: "Aprendemos algo hoje"- neste em si, após o final da frase o que temos é um barulho típico de censura inacabável. O que isso quer dizer? Que não foi aprendido nada naquele dia, que sempre que é censurado um programa de tv, um documentário, uma propaganda, ou o que quer que seja de maneira indevida, é isso que acontece. Temos falta de conhecimento, falta de arte, etc.
Isso deve ser levado em conta por órgãos como o Conar, que assim como a TV aberta americana, comete erros ao retirar do ar ou apenas cortar, partes de uma obra, dando a ela menos sentido ou menos graça. Se nos Estados Unidos o povo enfrenta mais rigor que nós na programação televisiva, os publicitários brasileiros enfrentam situações chatas com a propaganda nacional, ao serem repreendidos muitas vezes por motivos bobos e sem critério.Enquanto Coca e Pepsi saem no tapa no exterior, American Express humilha Visa e outros comerciais provocam os anunciantes concorrentes, sem maiores problemas; o Brasil ainda teima em limitar, e muito a publicidade. Diga-se de passagem, uma das melhores do mundo.
Postei hoje não somente sobre South Park, mas sim, sobre a vontade de não se prender a barreiras estipuladas erroneamente.O preconceito trabalhado de maneira artística como Matt e Trey vêem fazendo, ajuda a aniquila-lo de vez. Não é o desenho americano que ridiculariza o islamismo extremo, é a sociedade de um modo geral,isso é trazido para nós através destes gênios. Aí sim nos perguntamos, é realmente o caso de fazer pouco das minorias, etc. Mas como podemos apreender com esses caras, se eles forem mortos ou interrompidos por uma crença. Cinema e publicidade devem caminhar com mais liberdade, e somente assim mostraremos para povos que ainda não se encontram no século 21 que, queiram eles ou não, nós estamos sim em uma era de liberdade.
Confiram o vídeo citado de South Park
Marcadores: Cinema/tv, Pensamentos/Crônicas do dia-a-dia, Publicidade/marketing
Subscribe to:
Postar comentários (Atom)






















8 comentários:
O pessoal dos Simpsons se sensibilizou e fez uma homenagem ao South Park na abertura de um episódio...muito legal!
Eu nao sou fã de South Park. Não consigo achar muita graça e acho que eles pegam pesado demais. Mas censura em qq caso é inaceitavel.
Para qq caso, qq situaçao, sou a favor da livre expressao.
adoro south park! ótima postageeem.
beijo
Parabéns pelo artigo, gostei de o ler e concordo contigo. O que acontece é que o terrorismo lançado pelos grupos extremistas ligados ao islamismo têm ganhando força numa América ainda fragilizada pelo 11 de Setembro. Como Moore preconizou, vivemos na cultura do medo e isso tem condicionado as expressões de arte e crítica de uma alucinante forma, infelizmente.
Abraço
Eu me divertia bastante com South Park quando criança, hoje nem tanto...
Eu sou fãn dos caras.. mas pensando friamente.... tem tanta coisa pra eles tirarem sarro.. vao querer mecher logo com terroristas de outra cultura??? sei lá.. eu nao fria isso.. e isso não é me calar, pois no desenho não houve criticas construtivas...só zoação...
Agora guenta as consequencias.. ja tivemos uma tentativa de carro bomba.... fria.. melhor eles contratarem seguranças....
Li e concordo
acho que esse tipo de censura ocorrer hj em dia é bem ridículo, e de fat extremo
x_____x
Sabe, tem certas coisas que poderiam ser evitadas se tudo fosse levado com senso de humor e___e.
Achei graça do vídeo :P
http://baudopascacio.blogspot.com/
Ótimo texto. Concordo plenamente com sua visão, mesmo que eu não esteja acompanhando a série atualmente.
Postar um comentário